"SÃO SEUS OLHOS"

"Ah, são seus olhos". Quem nunca disse isso diante de um elogio qualquer? Uma pena termos reduzido tal expressão apenas à mera frase de (d) efeito. Sempre são "seus olhos", porque eu sou o que me enxergam ser...

"SÃO SEUS OLHOS"

"Ah, são seus olhos". Quem nunca disse isso diante de um elogio qualquer? Uma pena termos reduzido tal expressão apenas à mera frase de (d) efeito. Sempre são "seus olhos", porque eu sou o que me enxergam ser...
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Terra Blog

28.09.08

PARA MARCAR SEM ARRANHAR

Já terminei o dever dos dentes, escovei a casa e já posso vir brincar: com as palavras! Ando tão sem tempo para brincar, que o sol se transforma em lua antes que eu me esconda-esconda ou conte até dez.

Isso poderia ser um pedido de desculpas aos meus leitores (caso haja leitores; caso queiram desculpas...) por um certo sumiço cibernético (além de andar sumida de abraço também, para algumas pessoas bem queridas) mas é mais uma constatação temporal irrevogável: ando cansada demais para brincar. Ou talvez ande cansada de brincadeiras. Não com as palavras, que me aliviam. Mas entre os papéis que assino e os papeis que assumo, fica uma brecha cada vez menor de (me) passar por aqui. Não sei bem as regras da etiqueta: se peço perdão por ter vindo ou por não ter ficado.

A última novidade é que eu havia esquecido como era ter expectativas. Convenhamos que minha memória não é das melhores. De tanto recordar, eu havia apagado dos pensamentos como era não mais rememorar, e sim ansiar. Claro que, às vezes, a ânsia é de reviver, mas viver novamente é esperar que o passado dê um pulinho no futuro. Não é disso que estou falando. É de dividir os arquivos mentais entre expectativa – futuras lembranças; e lembranças – antigas expectativas.

Às vezes a gente se acostuma tanto a pensar em qual será o gosto do almoço de amanhã, que esquecemos de refletir sobre qual sabor teremos nós daqui a 7 anos: levar o filho a escola é mais corriqueiro e menos duradouro do que levá-lo ao abraço; arrumar a gaveta é sempre mais fácil do que as idéias; tirar uma foto tornou-se mais prático do que a roupa; tomar banho menos necessário do que um porre; corrigir redação mais maleável do que a miopia...

Mas isso é pura divagação, porque a novidade mesmo é que eu tinha esquecido como era ter expectativas. Como era passar as mãos delicadamente por sobre a pele do futuro. Uma pele elástica que se eu não tiver cuidado minhas unhas longas podem até furar! O futuro sempre foi muito sensível à essa minha mania de cravar-me nele. Tenho tentado não arranhá-lo, e ainda assim marcá-lo.

Tinha esquecido de fazer surpresas e de querer me surpreender. Apesar de, às vezes se está bossa-nova bem no dia em que me olhas rock n' roll. É aconselhável não querer triunfar por sobre olhares - os tais espelhos da alma (que quebram fácil... - as almas ou os espelhos?). Se um dia é da caça, o outro é da pesca, e eu gostaria de ser fisgada por uma rede balançando no meu jardim. Gostaria ainda de não ter de anunciar isso nos out-door's pra poder sair do nível de implicitude. Às vezes os subentendidos precisam ser desenterrados, jogados no chão da momentaneidade, e antes que pisoteados, apanhados pelas mesmas mãos, as quais colherão o vir-a-ser.

Andava esquecida. Esquecia de andar... Mas agora espero ser lembrada a cada três quintos de sempre. Para quando o telefone disparar, eu saber correr: será que é ele? Suponho que será. E que me dirá - onipotente - "estou aqui na frente, venha cá". Irei. Procurarei a chave certa para abrir a porta, o portão, os olhos e a mente. E lá estará ele, o Futuro, embalado numa embalagem de presente, me esperando para ser amarrotado e passado.

Samelly Xavier, lembrando de lembrar.

  • criado por  saoseusolhos criado por saoseusolhos
  • Postado em 01:49:22

11.09.08

QUEM TEM BOCA, VAI À URNA

Eu preferia não fazer esse texto, mas, na verdade, ele não é um texto, é uma promessa. E como eu costumo cumprir minhas promessas... Quando lida for, quero que saibam que construirei metáforas, reformarei os neologismos e trabalharei incessantemente por uma linguagem justa, acessível e ...debochada. Se sobrar espaço, divido uma pizza com vocês.

Dito isso,  gostaria de lembrá-los como funciona a coisa. A saber: não voto em branco porque estou numa fase impoliticamente correta: afro-descendentes, reclameis das células pálidas! Eu voto é nulo, porque todo voto de brasileito - até os de Natal os de Feliz Natal e Próspero Ano Novo - são sempre anuláveis.

No brasil, não se vota em idéias, se vota em pessoas. Pior: não se vota em pessoas, se vota em favores. Ou em possibilidades. E sinto que não vai ter campanha do governo que mude isso... Aliás, a corrupção fazendo propaganda da importância de ser consciente é mais ou menos uma Igreja do Diabo, um nutricionista gordo, um pastor ateu, uma dondoca bem casada etc. No brasil, tanto faz votar para prefeito ou no Big Brother. Tanto faz se quem ganhou foi o PT ou o Flamengo. Tanto faz se fizeram tanto ou tanto fizeram.

Lugar-comum pensar no saco de cimento trocado pelo voto. Na dentadura que vale o "aperta o confirma". Na operação que compensa todo e qualquer título de eleitor. Mas, a verdade é que os pobres brasileiros (com toda ambiguidade que o termo me concede) estão bem mais gananciosos. Não sei porque, mas toda vez que eu penso em venda de voto não lembro do desdentado nem do operado. Lembro do cara que vota no primo e ganha um emprego. Ou no rapaz que com o dinheiro da campanha, troca de carro. Na senhora que prega o adesivo até na alma  e consegue assim que a filha vire sub-secretária da sub-secretária da sub-educação.

Nunca entendi porque chamam aqueles retrato 3x4 de "santinho". Nunca entendi muito menos como o Papa não se manifesta contra isso, apontando heresia. A não ser... Que sejam santinhos dos pauzinhos ocozinhos... Se for, já não é da minha continha.

Aliás, fazendo as contas é assim: os R$100 que o político da cor lilás me promete, contrastando com os R$97,00 do político da cor cinza me garante (cores trocadas para preservar a integridade do arco-íris. O brasil é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade, definitivamente, é mera utopia...) são bem menos, bem muito menos, absolutamente um nada disfarçado de peixe-boi do que  pagamos de imposto em cada caneta Bic que compramos. Isso que dá ter """namorado""" com dono de papelaria: descobrir que cada vinte e cinco centavos da Bic de R$,050 é pura imposição!

Tudo bem que eu sou conformada em ouvir conformações: "Já que eles roubam a gente, a gente rouba eles". "Safado são eles que querem comprar meu voto, não eu que vendo", "Eu finjo que vendo o voto, aceito o dinheiro, mas na hora da urna, voto em quem quiser". Espero que assim, escritas, essas frases possam ser entendidas com toda carga de absurdo que carregam. E não meramente brincadas, como se prostituição de idéias e valores fosse motivo para sorrir.

Uma reles, porém esperançosa tentativa de replicá-las: eles roubam a gente, a gente finje roubar eles; eles nos torturam no pau-de-arara e a gente tortura eles. "Olho por olho e acabaremos todos cegos" (parece que só eu, Gandhi e P.Sherman entendemos isso!). Se safados são os que vendem, não os que compram, o que acontece com um piadista sem graça quando simplesmente param de rir dele? Alguém aí já ouviu falar na lei de oferta e procura? Na urna, vota-se em quem quiser, e no bolso guarda-se o tostão de quem quis determinar o querer?!

Se é que o brasil ainda se choca com alguma coisa, queria que sentissem vergonha: as frases aspadas acima não foram ditos pelos fantasiosamente comentados analfabetos-famintos-excluídos filhos (adotados, só pode) da pátria mãe gentil. Foram ditas por futuros universitários! Meus alunos! Meus amigos! Que sabem ler crônicas e fazê-las, que sabem - embora não façam - contar os juros e que leram, ainda nesta semana em algum livro de Geografia a desprezível estatística: 1% dos estudantes brasileiros CONSEGUEM chegar até o ensino superior. Eles, eu, alguns de vocês, somos a elite intelectual brasileira - como diz uma grande amiga, professora dessa elitizada.

E o que isso significa? Significa que lendo Maquiavel saberemos justificar os fins e dar de ombros para os meios. Lembrando: a urna é um meio. Significa que a tabuada do 2 empregos teus mais 2 empregos meus igual a 4 votos vendidos e vendáveis é eficiente. Significa que conhecimento sem apuro mental é podre. E fede. Mas nós não sentimos porque nosso nariz está entupido. Entupido dele mesmo.

Os comunistas estão em casa, assistindo ao PoliShop e comendo pipoca de microondas. O radicalismo do exagero lhes deixou herdado esse banzo de quem vai com tanta sede ao pote que esquece de enchê-lo d'água. Os moderninhos estão trocado quatro anos por um lanche, um favor, um carro ou um pirulito.

Não queria ser saudosista antes do tempo, mas almejo viver uma época de melhores equilíbrios: em que os votos não sejam vendidos nem usem vendas, sejam transparentes como uma consciência internalizada; em que política não se limite a uma cor e um refrão; em que os partidos possam ser mais inteiros de integridade; em que as pessoas descubram que eles são nossos representantes porque são idênticos a nós: não têm voz, só têm gritos de "já ganhou! já ganhou! já ganhou!"; em que a corrupção - ah, a corrpção - não faça parte do nosso corpo, do nosso chá, muito menos do nosso sorriso engasgado.

Samelly Xavier, fazendo silêncio de urna, ao invés de boca

  • criado por  saoseusolhos criado por saoseusolhos
  • Postado em 23:22:41

03.09.08

ECO DOS OCOS. OU O CONTRÁRIO.

Saboroso é o amor, fruta boa
Coração é o quintal da pessoa
É gostoso o nosso amor
Renovado é o nosso amor
Saboroso é o amor madurado de carinho

É pequeno o nosso amor, tão diário
É imenso o nosso amor, não eterno
É brinquedo o nosso amor, é mistério
Coisa séria mais feliz dessa vida

(Trecho da música "Fruta boa", de Milton Nascimento e Fernando Brant)


O oco das oportunidades perdidas, não importa como, é sempre insosso. O eco de cada oco traz sempre um vazio cheio de incômodos. Ás vezes falta tempero na carne. Às vezes falta um pedido de casamento antes do jantar. Ás vezes é alguma coisa que a gente só lembra que falta depois que desce do ônibus e ele já se foi.

É difícil definir os milímetros de segundo que faz com que um encanto vire uma ocasião. Quando isso acontece, trocamos um olhar por um com licença, e toda vontade de lábio se transmuta num muito obrigada, até a próxima. É feito fruta que apodrece antes de amadurecer. Não dá sabor, não faz saber. Fica-se, então, na vontade. Numa vontade perdida e de aparência irrelevante.

O oco do não-acontecido é um trailler da frustração. É um pedaçinho de vazio deglutido aos poucos, porque, afinal, saber que poderia ser e não foi, realmente é difícil de se engolir.

Eu penso nos filhos abortados e nos quartos e roupinhas condenadas à virgindade. Eu penso que se aquele sinal não tivesse aberto logo naquela hora, o retrovisor me anunciaria ao homem da minha vida. Eu penso que aquele aforismo “você perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado” pode ser reinterpretado como um “você perdeu a oportunidade de criar uma oportunidade onde sua fala valesse a pena”. Eu penso que depois que o avião foi embora eu nunca mais vou poder devolver-lhe o seu cheiro que ficou no meu pescoço. Eu penso que o dia da entrega do boletim poderia ser concomitante ao dia das provas e isso faria com que se oportunizasse consciências pós-pagas.

Mas, na verdade, eu penso tanto que o que penso nem deve ser considerado como uma conveniência capaz de justificar qualquer coisa. O que eu escrevo não me justifica. Só me expurga.

Ao longo da vida, no curto do tempo, é tanta poesia jogada no lixo que qualquer dia a gente vai abrir a tampa e da lata sairá Quintana, esfumaçando e recitando um poema de Cecília.

É tanto depois que só não é agora por preguiça do destino... É bem possível que o braço do destino se espreguice mesmo na hora que estamos passando!

E você ainda vem me dizer que minhas verdades sufocam?! Como se não soubéssemos que só quem respira fundo consegue perder o fôlego! Afinal, com quantas aspirações se faz um sonho?

Talvez um dia eu aprenda - talvez eu diga isso só pra parecer sensata - mas na verdade, de verdade, minha noite é da cor que meus olhos decidem quando se fecham. Meu nascer do sol começa quando meus olhos se abrem. No intervalo, pisco sinais e você nem percebe. Que posso mais fazer se não não fazer nada?

Não, não deixo pra depois o que eu não quero que me deixe.
Eu quero ir me deixando é de agora. Não feito quem se abandona. Mas igual semente - este ser tão cheio de luas... Quanto ao depois, depois eu já vou ter germinado mesmo!

Samelly Xavier, pré-madura

  • criado por  saoseusolhos criado por saoseusolhos
  • Postado em 21:32:19

27.08.08

CLARO QUE É CULPA DE CLARA

Não vou negar o quanto gosto quando Clara, com seus olhões verdes e suas letras vermelhas, vem me perguntar quando vou escrever outro texto e colocá-lo por aqui, só porque ela está sentindo falta de coisa nova para anotar no seu caderninho de citações.

Vou admitir, ainda, que é engraçado quando ela coloca frases "minhas" em seu msn e eu não as lembro. Tem certeza que isso é meu? Pergunto entre envergonhada e incrédula. Ela diz ter. E eu acredito mais nela e nas citações do que em mim e na minha memória.

Mas o que vim admitir nesse texto é algo muito maior do que esquecimento ou preenchimento de ego. É quase uma confissão. Por isso será dito através do silêncio das palavras escritas. Será sussurrado entre uma vírgula e um ponto.

O que quero dizer é que Clara, (trans)lúcida como sabe ser, inocentemente (eu disse inocentemente?) perguntou sobre o que seria o próximo texto. O assunto da próxima rodada. A pauta dessa reunião virtual que estabelecemos eu e o meu leitor imediato. Ela me fez pensar na próxima carta do baralho. No novo lançar de dados. No susto que antecede o medo. Na surpresa não acontecida e já relembrada.

Pronto! Ela me fez suar pelos póros dos acentos. Me fez tremer cada mal traçado traço do T e pingo do I. Clara me fez trocar a sensação de borboletas no estômago por casulos no cérebro.

Clara, Clara... Me deu um tiro em formato de interrogação. Porque não existe nada mais pugente do que a descoberta que não é sequer desconfiada. Há muitos acasos que um dia supomos descobri-los. E há os absurdos: os que não nos damos conta de suas existências. E eu não sabia que existia o próximo texto até ele virar presente. Clara , clara... Brincou com a relatividade do tempo: transformou em imediato aquilo que, de fato, ainda nem existia.

O próximo texto é como o próximo amor: inpresumível até ocorrido. O próximo texto é como uma fecundação antes do gozo. É um beijo nascido sem lábios. Em suma: o próximo texto é assustador como o mais retumbante nada pode ser. E digo isso porque ele pode ser, ele pode vir a querer ser absolutamente tudo.  O tudo e o nada aninham por sobre o depois.

Fato é: o vai-ser cabe tudo que já foi e tudo que está sendo dentro dele. O vai-ser é elástico que se rompe quando se vê sendo. O vai ser é claro feito os lindos olhos verdes da Clara. Mas de um verde prematuro (o Vai Ser. Não os olhos clareantes).

Pensar em qual será o assunto do novo texto é transformá-lo em texto dito. É desvirginizar o pensamento. É penetrar o imaculado mundo das possibilidades, transformado-as em escolhas. E eu sei que escolher é encolher possibilidades. Mas que há de se fazer se não outros feitos? É do meu feitio me enfeitar na linguagem. Alterá-las em aliterações sem sentido.

Tipo assim: minha comentada gargalhada, a saber, não passa de uma rima oca. Ela rima com meu olhar prenhe de futuro. Um futuro que quando vir a ser... já foi. Feito agora. Fim. Começo. Fim. Começo. Fim. Com...

Samelly Xavier, influenciada por todo o tempo que a persegue e a encanta.

  • criado por  saoseusolhos criado por saoseusolhos
  • Postado em 21:04:04

17.08.08

O MESMO (IN)DIFERENTE JOGO

O Brasil só ganhou uma medalha de ouro até agora. E eu ando pensando sobre a paixão.

O nadador chorou e me fez chorar ouvindo o hino nacional em Pequim. Mas eu queria falar mesmo era da paixão.

As lágrimas não têm pátria, a emoção não fala nenhum idioma. A Olimpiada de Pequim divide opinião de poliglotas e democratas, e eu - que sei que nem só de ideogramas se faz a vida, bah! - penso, reflito e sinto falar sobre a p...a...i...x...ã...o

Penso que um corpo apaixonado é esporte puro. Dos levantamentos tímidos de vista aos passos rasos e arrastados durante um passeio. Dos dribles aos escanteios. Dos beijos nas traves às puladas de cerca. E sendo mais pragmática: é paixão também, de certa forma, o que escorre dos olhos de cada competidor.

No esporte, conquistar é o verbo. Treinar é só o costume. E a repetição traz a disciplina. O enrijecimento de músculos, como já é de conhecimento público.

Lembro de alguém me dizendo que é preferível medalhas de bronze às de prata. Porque o bronze é pra vencedores (mesmo que pra vencedores de segunda opção), mas a prata é prêmio de consolação para quem perde. Sendo assim, chego a conclusão que Paixão só pode ser de bronze, porque estar apaixonado não é perder nada, nem sequer a cabeça, como querem fazer-nos acreditar alguns por aí. Mas também não é ouro, não é amor, não reluz.

Estar apaixonado é combate e luta. Ao esperado e ao duvidoso. É o mesmo jogo que já brincaram, que agora brincamos, o mesmo prêmio e o mesmo frio na barriga acada novo embate. Me impressiona como somos repetitivos (sempre o mesmo tum-tum)! Mas me impressiona mais como é delicioso sê-lo.

O técnico que nos prepara, então, é caótico. E temos a nítida sensação que treinar só nos emburrece! ("Se eu não perdi nenhum detalhe, onde foi que eu errei?"). Apesar disso, por mais cartões vermelhos (cor de coração) e faltas (de tempo, de vontade, de paciência) que cometamos, sempre conseguimos estar lá de novo, sem fugir da raia. A teimosia (ou seria fé?) do esportista é semelhante a do apaixonado. Ambos são emoção a flor da pele suada.

O Brasil ganhou cinco medalhas de bronzes. Tooooooooooooooooodo mundo sabe que bronzear é coisa de brasileiro. E ganhou na mesma semana em que meus clichês ganharam um certo charme: rimar paixão e coração, de repente, soou coisa de profissional.

Ser o troféu ou segurá-lo com unhas e dentes (e lábios, quiça)? (Posso ganhar de mim mesma por WO?).

À parte todo vermelho de Pequim, vou continuar torcendo pro meu time de coração - meu time do coração: num time (time) desses, nem que seja aos 45 do segundo tempo, eu acabo vencendo. Como recompensa, descubro que teus braços são meu pódio. Pode?

Samelly Xavier, querendo o ouro.

  • criado por  saoseusolhos criado por saoseusolhos
  • Postado em 15:35:27